Norwegian Wood

Norwegian Wood, também conhecida como Tokio Blues, foi uma live-action que gostei tanto na época que até o livro comprei e assim conheci o Murakami, um dos meus escritores favoritos atualmente.

A obra retrata a história de um triângulo amoroso entre Kizuki, Naoko e Toru Watanabe, focando-se neste como personagem principal.

Kizuki inexplicavelmente comete suicídio aos 17, deixando sua namorada Naoko – garota que conviveu desde os 3 anos – sozinha. Ela fica gravemente abalada, perdendo aos poucos sua sanidade. Logo após o incidente, Watanabe – melhor amigo do casal – se muda para uma república em Tóquio na tentativa de uma vida nova. Após três anos, encontram-se por acaso em uma cafeteria da capital e começam a se relacionar com flertes desde então.
Naoko convida Watanabe para sua festa de 20 anos. Durante o evento acabam se envolvendo sexualmente. Sem querer durante o ato, Toru comenta sobre Kizuki, o ponto fraco dela. Deprimida, foge de Tóquio para um sanatório nas montanhas em Quioto. Preocupado, vai a sua procura.

Watanabe entrega seu coração à Naoko- antes um relacionamento aberto- cuidando dela em sua vivência no sanatório durante as estações anuais e trocando cartas. De volta a Tóquio, acaba conhecendo Midori. Apaixona-se por ela, mas seu amor continua central a outra.

Eu – uma louca pelo cinema Almodóvar, como obra favorita Má educação – achei o filme Norwegian Wood fortíssimo. Muito pesado mesmo…

Contexto e aviso de gatilho: A história é contada durante a guerra do Vietnã(não é tema central), abordam temas como suicídio, insanidade(esquizofrenia, pânico, vaginismo e transtorno bipolar), celibato e insinuações de orgias.

Elenco: O elenco inteiro é excelente, comoposto por Rinko Kikuchi(Naoko), Kiko Mizuhara(Midori),Kengo Kôra(Kizuki). Para quem conhece o Keniti Matsuyama(Protagonista) e tem aversão a filmes dele graças a live-action de Deth Note(como o personagem L, ele foi fortemente criticado pelos fãs do anime), não deixem de assistir o filme por isso. Li o livro, como disse no início, e para mim não teria Watanabe melhor que o performado por ele.

Direção: Narrado em 1° pessoa, a direção demonstra uma enorme delicadeza com o longa nas cenas e no desenrolar da história. O cineasta vietnamito Tran Anh Hung realmente me ganhou com a sua sensibilidade exposta no fluxo da história.

Soundtrack: A trilha sonora é bem melancólica, como de se esperar em um drama como esse, à base de instrumentos clássicos de teclas como o piano e o órgão, também me encanta com a magia que fazem as cordas do cello, violino e violão. O compositor da maioria das músicas da soundtrack se chama Jonny Greenwood, mas diversas músicas alternativas contextualizam o fundo histórico, guerra fria, como a própria “Norwegian Wood” dos Beatles e outras de uma banda alemã chamada CAN.

Produção: O cenário foi um dos mais lindos que já vi, ganhando até da Noviça rebelde(The sound of music), meu musical favorito. Toda a beleza natural do Japão deve estar nele. Com uma arquitetura futurística em Tóquio, que remete a construção de um novo país, e a medieval de Quioto, essa linha que divide tradição de avanço mostra bastante como é visto o Japão da nova Era. Era que, pelo contexto, aliás, de Guerra Fria, mundo dividido em dois polos, tempo destacado pelo mistério da dualidade. O cineasta consegue aludir os sentimentos dos personagens às estações anuais: clima de primavera e o observar das sakuras nascendo em momentos felizes, mas efêmeros ao chegar do inverno, momentos entre Naoko e Watanabe esfriarem.

Pontos negativos: A única falha do filme em relação ao livro, foi a falta de explicação quanto ao título. No livro, Watanabe, aos 45 anos, começa a narrar a história de sua adolescência(a própria obra) quando escuta por acaso a música Norwegian Wood(madeira norueguesa), dos Beatles, que era a favorita de Naoko e a mais pedida por ela no sanatório. Pode parecer uma explicação inútil, mas quem assistir ao filme entenderá pelo cenário, sentimentos de Toru sobre ela e principalmente a tradução e melodia da letra.

Pontos positivos: Além de uma história instigante, ajuda-nos a conhecer muito da cultura japonesa – sociologicamente, geograficamente e historicamente – e sabemos que o Japão é idolatrado por muitos só pela filosofia que pregam. Em todas as questões, é bastante completo.

Observações: A live-action, assim como a maioria, é somente baseada no livro. Contudo, está bem compactada, não deixam escapar nada. Entretanto, o foco é Watanabe, Naoko e Midori. Muitos que assistirem o filme podem acabar questionando a morte de Kizuki, a história de Reiko, a convivência entre Hatsumi e Nagasawa e muitos nem chegarão a conhecer o “Nazista”(colega de quarto do Watanabe) de tão desapercebido que ele passa, porque no filme todas essas questões são irrelevantes.

Conclusão: Assim como o livro, o final do filme deixa bastante a desejar pelo fato de ser aberto. Todavia, o filme dá uma enrolada jogando afirmações que faça você refletir tirando a vontade de ansiar por um fim, uma tática que o diretor usou para compactar a história sem perder o que faria falta.

Autor: Cortez Hime

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