The King and the Clown

Melhor filme coreano já criado no universo. Baseado na história do rei Yeonsan da dinastia Chosun – século 16 -, o nome coreano seria Wang-ui namja, que em português traduz-se “O homem do rei”.

Uma trupe de palhaços em Seoul utiliza da comédia para criticar a realidade, sendo o alvo de sátira a podridão da corte exploradora do povo trabalhador. A trupe fica tão famosa que chega aos ouvidos do Rei. Como punição, o Rei Yeonsan(Jung Jin-Young) declara-lhes a morte, mas promete não mata-los se o fizerem rir com as piadas que são contadas em seus shows. Ou seja, fazer o rei rir zoando da cara dele e seu estilo de vida vazio.

ou

Com muito esforço, um dos homens da trupe, o Gong-Gil (Lee Joon-Gi), fantasiado de rainha por ser o mais semelhante a mulher, faz uma piadinha safada com seu parceiro – amigos coloridos próximos desde a infância – fantasiado de rei, Jang-Sang(Kam Woo-Sung), e finalmente o Rei aprova. Não somente o espetáculo, mas também o mocinho andrógino, que é transformado mais tarde em seu “bobo da corte” pessoal, para entretê-lo em seu quarto.

Com o mesmo papel de zoar a podridão da corte, mas desta vez dentro da própria corte, a trupe denuncia através do teatro a corrupção e até o plano de morte que custou a vida da antiga rainha, entre outros fatos tensos ocorridos nesse meio, coisas que todos sabem, menos o rei. Por causa disso, a trupe planeja fugir, porque a coisa toda vai ficando muito tensa, inclusive, eles passam a ser odiados pela corte por causa de tanta revelação que até então tava tudo por baixo dos panos. Mas Gong-Gil fica com pena do rei, porque ao longo da vivência junto a ele, via o quão infeliz seu amo é, sem contar que ambos criam um certo afeto com o tempo. Mas principalmente, o palhaço não deseja  fuga pelo simples fato de antes de virar palhaço da corte ele era tão pobre que chegou a quase precisar se prostituir por ser o único de seu meio a se assemelhar a uma mulher, daí ele não quer voltar para essa extrema miséria. Por causa dessa resistência de Gong-Gil, mais coisa vai dando errado, até custar seu relacionamento de amizade suspeita com Jang-Sang.

O filme é tão maravilhoso! A história, a produção, os atores, o drama. O final é tão triste que até a rainha invejosa – interpretada pela fodástica atriz Jang Nok-Su – joga tudo pro alto quando vê a última cena (chorei horrores, socorro vida).

Vai além de contar a história de um monarca coreano, é mais profundo que abordar a homossexualidade(que aliás, é tão sutil que mal se percebe)na idade média oriental. Trata-se de mostrar a importância da imitação ao ser humano. O quão importante é o teatro que não faz nada senão a reprodução de ações. No fim, até deixam o seguinte pensamento: o que é a realidade senão a imitação do que é real? No caso da corte, o real não era a vida, eles viviam uma ilusão. A realidade era a interpretação que denunciava aquilo que o falso cobria, quem interpretava no fim não eram os atores, mas as pessoas ao redor do rei. O rei fechava tanto os olhos para sua realidade que seu povo passava fome enquanto sua nobreza lhe passava a perna.

Me vem a tona o enigma da caverna de Platão. Resumindo, a humanidade vive acorrentada em uma caverna, sua vivência não passa de observar as sombras que a luz no fim do “túnel” projeta. Um homem quebra as correntes e vai ver o que há lá. Na luz, descobre a realidade. Quando volta para contar aos outros, todos recusam o conhecimento, recusam a realidade(negação), matando o “visionário” para assim poder voltar a fechar os olhos para o mundo em paz. E é isso que o rei passa. Ele se concentra nas denúncias de sua trupe e conforme vai descobrindo a realidade ele “se livra do problema” podendo assim normalmente fechar os olhos, isto é assistir a mais peças de sua trupe normalmente no dia seguinte.

Eu poderia falar tanta coisa, eu realmente amei o filme, amei o Jang-Sang(meu personagem favorito), mas se eu escrever tudo, vou dar ainda mais spoil.

Só um esclarecimento: quanto ao relacionamento entre Jang-Sang e Gong-Gil creio que era uma amizade(apesar daquele final lindo maravilhoso), mas com um amor inconsciente bem profundo que só se manifestava em suas peças teatrais(mais uma vez o teatro representando a realidade que fingimos – atuamos – não existir) e no fato de jamais se separarem. Quanto ao rei, ele tinha um amor erótico por Gong-gil – que é óbvio – e creio que Gong-gil chega a retribuir, mas em doses e contextos diferenciados, já que seu coração pertence ao seu amigo colorido. ❤

Quanto a homossexualidade, ao mesmo tempo que é uma coisa tratada com um pouco de “naturalidade” – os caras da trupe respeitavam Gong-gil e o tratavam como uma moça de verdade – também tinha gongadas, como a rainha se divertindo com o rei ao “criticar” Gong-gil por ser mais feminino que ela, ou o Jang-Sang ter criticado o rei dizendo que era sujo o suficiente para satisfazer seus desejos sexuais com um homem(ápice do ciúmes esse moço).

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